terça-feira, 16 de novembro de 2010

Amor além da Alma



"Se eu..
Se eu puder ser a pessoa mais importante da vida dela,então,
como estarei feliz.
Não pode ser ninguém além dela.
Se não for ela..
..Eu...
Este é o limite do quanto você pode amar alguém?
Não importa o quanto eu a machuquei e fui machucado por ela
Eu me achei longe de odiá-la,na verdade esperando
que estas feridas se tornem cicatrizes..
Por que então ela nunca vai poder me esquecer..
Além disto,nunca irá deixar de estar ao meu lado.
Amando alguém tão loucamente deste jeito
Eu nunca vou amar desta forma novamente"

Palavras de Chico Xavier

Chico Xavier costumava ter em cima da sua cama uma placa escrita: ISSO TAMBÉM PASSA! Então perguntaram a ele o porquê disso...Ele disse que era para que quando estivesse passando por momentos dificeis, se lembrar de que eles iriam embora, iriam passar e que ele estava vivendo, isso só por algum motivo.
Mas essa placa também era para lembra-lo de que quando estivesse muito feliz, não deveria deixar tudo para trás e se deixar levar, porque esses momentos também iriam passar e momentos dificeis viriam novamente. É exatamente disso que a vida é feita de momentos.
Momentos que temos que passar, sendo bons ou não, para o nossa própria aprendizagem nunca esquecendo do mais importante: Nada nessa vida é por acaso

Reflexões - 16/11/010

 
 
Crie laços com pessoas que lhe fazem bem, que lhe parecem verdadeiras e desfaça os nós que lhe prendem aquelas que foram significativas em sua vida, mas que infelizmente, por vontade própria ou não, deixaram de ser. Nó aperta. Laço enfeita.





"Aos poucos a gente vai mudando o foco. E o lugar nem te acrescenta mais, você começa a precisar de outros lugares. E de outras pessoas. E de bebidas mais fortes. Nem pensa. Vai indo junto com as coisas."



''É tudo tão bonito que me dói e me pesa. Fico pensando que nunca mais vai se repetir, é só uma vez, a única, e vai me magoar sempre.''

sábado, 13 de novembro de 2010

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque vo cê possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fa zê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passa do. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternid ade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.



Clarice Lispector.

Reflexos de Algo Perdido Pelo Caminho

    Não sente nada agora porque talvez já tenha sofrido demais. Mas amor não é isso mesmo? Algo avassalador, cujo silêncio de sua retirada deixa um vácuo dolorido e uma porção de poemas amargos?
    Sentado diante dela, empilha cinzas e garrafas sobre a mesa de madeira do velho barzinho. Brinca com o porta-copo colorido, precisa manter as mãos ocupadas, assim como mantém os olhos fugidios, freneticamente vasculhando o ambiente, tudo para evitar o rosto dela.
    Ela fala e fala, não para um só segundo, ele não ouve nem a metade, não para de formular suas teorias, escuta apenas fragmentos do discurso, farpas afiadas naquela voz conhecida, “...acho que a gente fez o certo...”, “...mas eu não to saindo a sério com ele, não é nada demais...”, “...nunca quis te magoar...”, “...eu acho que o amor nunca acaba, sabe...”.
    Não acaba mesmo, ele pensa. Nunca se extingue em seu próprio fim, sempre segue em frente, se transforma, primeiro em pesar, depois em saudade, em alguns casos vira amizade, em outros ódio. Também há aqueles que acabam em indiferença. E os que acabam dor infinita, enorme e sufocante dor. Mas acabar, não. Afinal, não é sempre amor mesmo que mude?
    “É, eu concordo contigo”
    “Sobre o quê?”
    “Esse lance do amor nunca acabar”
    “Mas eu nem tava mais falando disso”
    “Bom, eu concordo do mesmo jeito”
    Já não tinham conversado sobre isso antes? Talvez. Já conversaram sobre muitas coisas, algumas tão loucas e tão íntimas que isso constituía uma forma de pacto, uma união através da devotada divisão de pensamentos. Só que esses eram outros tempos. Não havia mais conversas. Apenas enormes blocos de monólogos e enormes blocos de silêncio, intercalados.
    “Eu tava falando que...”
    “Eu vou embora”
    “Como?”
    “To cansado, quero dormir. Depois eu te ligo, desculpa.”
    Antes de ouvir qualquer outra coisa, levanta e sai. Tem idéia para um novo poema, vai pela rua escura repetindo mentalmente os versos para não esquecer de nenhuma palavra. Não se sente de todo mal. Tristeza tem fim, no final das contas. Se for assim, talvez o amor também, quem sabe? Pode estar errado, como em tantas outras vezes. Precisa reavaliar algumas idéias.
    Por enquanto segue pensando do mesmo jeito, até o próximo porre ou até a próxima mulher. O que vier antes. Ou que for mais marcante.

Não Mais

es tan corto el amor, y es tan largo el olvido
Pablo Neruda

    Então é assim? Depois de tudo, é só isso que resta? Como pode um amor daqueles, um amor grande daquele jeito, um amor devotado em todas as suas mínimas e ínfimas ações, um amor de braços largos, feitos pra abraçar apertado, como pode um amor daqueles ter sido reduzido a esse quase nada? E aí nos esgueiramos, rasgando os joelhos, sangrando a carne, rastejamos por entre os escombros e os minúsculos estilhaços que restaram depois da implosão, procurando loucamente por alguma migalha, por menor que seja. E elas são pequenas sim, mas nos interessam, nos alimentamos dela, com toda a fome do nosso espírito, mas isso não nos sacia, porque é quase nada, e estávamos acostumado com o quase tudo, o quase maior amor do mundo, o quase beijo mais longo do mundo, o quase olhar mais sincero do mundo. A história quase sem final. Quase.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Conto

Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas.
Deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver nascer uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente.
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

A vida era muito dura . Não chegávamos a passar fome ou frio ou nenhuma dessas coisas. Mas era dura porque era sem cor, sem ritmo e também sem forma . Os dias passavam, passavam e passavam, alcançavam as semanas, dobravam as quinzenas, atingiam os meses, acumulavam-se em anos, amontoavam-se em décadas - e nada acontecia.
Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer? Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma outra alegria além de ti. Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara.
A minha cabeça gira. Não, a minha cabeça não gira, a minha cabeça cresce e se derrama pela rua. E eu fico vendo as pessoas caminharem por entre os meus cabelos. No começo, elas têm alguma dificuldade, mas sorriem e vão afastando pacientemente os fios. Mas os fios aumentam e se tornam cada vez mais espessos, instransponíveis. E então as pessoas se enfurecem e apanham foices, tesouras, facas e agulhas e vão cortando e furando os meus cabelos que não páram de crescer sobre a cidade de pessoas enfurecidas.
Esperas uma solução para estes teus olhos que não nasceram assim, verdes. E que dia a dia se farão mais claros até que não consigas mais olhar para o mar, sem pensares que de certa forma essa cor te foi dada por ele. E até que não consigas mais distinguir outra coisa que não seja verde. E até que assa claridade deixe um dia de te cegar, para que mergulhes no escuro irremediável da morte.
Por isso meu ódio cresce. Quando atingir um nível insuportável, não será difícil: basta uma lâmina contra o pulso, nem isso. Uma simples picada de alfinete. Menos até. Talvez aquele menino volte, talvez eu esteja mesmo sozinho, talvez você ache que eu esteja louco. Queria que você entendesse que apenas contei o que realmente aconteceu, e se isso é loucura, quem enlouqueceu foi o real, não eu, ainda que você não acredite. Não tem importância. A história é essa, talvez eu tenha falado mais que eu devia. Mas tenho uma certeza dura de que nem você nem os outros perdem por esperar. Cuidado: eles estão aqui, à nossa volta, entre nós, ao seu lado, dentro de você.


Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva.

Por: Caio Fernando Abreu